Norma

NBR 5101 na prática

ProjRedes 8 min de leitura

A iluminação pública de um loteamento pesa na segurança viária, na segurança patrimonial e na percepção do empreendimento. A ABNT NBR 5101:2024 estabelece os requisitos — e traduzir esses requisitos em projeto passa por simulação fotométrica.

As métricas que a norma cobra

A norma muda de métrica conforme o tipo de via. Em loteamento, as classes mais frequentes são as de tráfego de pedestres (P), de veículos motorizados (M) e de conflito (C).

Vias de veículos, classes M — o foco é luminância

  • Luminância média (Lm), em cd/m² — o brilho da superfície da via como o motorista percebe.
  • Uniformidade geral (U0) — razão entre a luminância mínima e a média. Impede mancha escura na pista.
  • Uniformidade longitudinal (Ul) — razão entre mínima e máxima ao longo do eixo da faixa. Evita o efeito zebra.
  • Incremento de limiar (TI), em % — mede o ofuscamento causado pelas luminárias, que reduz a capacidade do motorista de enxergar obstáculos.

Vias de pedestres e ciclovias, classes P — o foco é iluminância

  • Iluminância média horizontal (Ehm), em lux — quanta luz incide sobre a calçada.
  • Iluminância mínima horizontal — garante que nenhum ponto da área de pedestres fique perigosamente escuro.

O arquivo IES

Toda simulação luminotécnica começa no arquivo IES: um texto padronizado, fornecido pelo fabricante, que descreve em 360° como a luminária distribui luz. É a assinatura fotométrica do produto — sem ele, não há simulação, só estimativa.

Importação de arquivo fotométrico IES no módulo luminotécnico do ProjRedes

Como a simulação roda

  1. Definição da cena — largura da pista, número de faixas e largura das calçadas.
  2. Posicionamento das luminárias — arranjo (unilateral, oposto, alternado), altura de montagem, comprimento do braço, espaçamento entre postes e inclinação.
  3. Malha de cálculo — os pontos sobre pista e calçadas, na densidade que a norma especifica.
  4. Simulação — a contribuição de cada luminária sobre cada ponto da malha, a partir do IES.
  5. Comparação — médias, mínimos e uniformidades confrontados com os requisitos da classe escolhida, resultando em aprovado ou reprovado.

Mapas de isolinhas

A forma mais direta de ler a distribuição de luz é o mapa de isolinhas — as curvas de nível da iluminância ou da luminância sobre a via. Áreas escuras e excesso de luz aparecem de imediato, antes de qualquer tabela.

Onde o software entra

Com o módulo luminotécnico integrado ao projeto de rede, os postes já locados no mapa entram direto na simulação. Não há exportação de geometria nem remodelagem da via em outra ferramenta — e, quando o traçado muda, a simulação acompanha.

O que costuma reprovar

Na prática, o problema raro é a iluminância média: essa quase sempre fecha. O que reprova é uniformidade — espaçamento grande demais entre postes deixando vale escuro no meio do vão — e incremento de limiar em via de tráfego, quando a inclinação da luminária foi escolhida sem verificar ofuscamento. Ambos aparecem no mapa de isolinhas antes de aparecerem na análise da concessionária.

Luminotécnico dentro do projeto de rede

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