A iluminação pública de um loteamento pesa na segurança viária, na segurança patrimonial e na percepção do empreendimento. A ABNT NBR 5101:2024 estabelece os requisitos — e traduzir esses requisitos em projeto passa por simulação fotométrica.
As métricas que a norma cobra
A norma muda de métrica conforme o tipo de via. Em loteamento, as classes mais frequentes são as de tráfego de pedestres (P), de veículos motorizados (M) e de conflito (C).
Vias de veículos, classes M — o foco é luminância
- Luminância média (Lm), em cd/m² — o brilho da superfície da via como o motorista percebe.
- Uniformidade geral (U0) — razão entre a luminância mínima e a média. Impede mancha escura na pista.
- Uniformidade longitudinal (Ul) — razão entre mínima e máxima ao longo do eixo da faixa. Evita o efeito zebra.
- Incremento de limiar (TI), em % — mede o ofuscamento causado pelas luminárias, que reduz a capacidade do motorista de enxergar obstáculos.
Vias de pedestres e ciclovias, classes P — o foco é iluminância
- Iluminância média horizontal (Ehm), em lux — quanta luz incide sobre a calçada.
- Iluminância mínima horizontal — garante que nenhum ponto da área de pedestres fique perigosamente escuro.
O arquivo IES
Toda simulação luminotécnica começa no arquivo IES: um texto padronizado,
fornecido pelo fabricante, que descreve em 360° como a luminária distribui luz. É a assinatura
fotométrica do produto — sem ele, não há simulação, só estimativa.
Como a simulação roda
- Definição da cena — largura da pista, número de faixas e largura das calçadas.
- Posicionamento das luminárias — arranjo (unilateral, oposto, alternado), altura de montagem, comprimento do braço, espaçamento entre postes e inclinação.
- Malha de cálculo — os pontos sobre pista e calçadas, na densidade que a norma especifica.
- Simulação — a contribuição de cada luminária sobre cada ponto da malha, a partir do IES.
- Comparação — médias, mínimos e uniformidades confrontados com os requisitos da classe escolhida, resultando em aprovado ou reprovado.
Mapas de isolinhas
A forma mais direta de ler a distribuição de luz é o mapa de isolinhas — as curvas de nível da iluminância ou da luminância sobre a via. Áreas escuras e excesso de luz aparecem de imediato, antes de qualquer tabela.
Onde o software entra
Com o módulo luminotécnico integrado ao projeto de rede, os postes já locados no mapa entram direto na simulação. Não há exportação de geometria nem remodelagem da via em outra ferramenta — e, quando o traçado muda, a simulação acompanha.
O que costuma reprovar
Na prática, o problema raro é a iluminância média: essa quase sempre fecha. O que reprova é uniformidade — espaçamento grande demais entre postes deixando vale escuro no meio do vão — e incremento de limiar em via de tráfego, quando a inclinação da luminária foi escolhida sem verificar ofuscamento. Ambos aparecem no mapa de isolinhas antes de aparecerem na análise da concessionária.